terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Lute²


 Corro. Com todas as forças me lanço em direção ao gigante-inimigo, que tem agora um aspecto tão assustadoramente familiar. Seu olhar fixo em minha direção tenta inutilmente me amedrontar. Não há mais vezes para o Medo. Por mais impenetrável que pareça ser, lembro bem das vezes em que minha Pena penetrou sua pele grossa, e pude sentir um gosto enferrujado de coragem escorrendo em meus lábios. Lembro bem desse sabor, Pena também o lembra bem, pois foi mesmo com ela que vivi esses momentos. Depois de tantas vitórias e derrotas em minhas mãos, seu metal ainda brilha com a mesma intensidade. Seu peso agora parece gritar a sede que tem pelo que está por vir.
 Prossigo correndo. E a medida que avanço percebo que o gigante parece cada vez menor. E de fato está. Não por sua estatura ter magicamente diminuído ou algo semelhante, mas por seu tamanho estar sendo ofuscado pela imagem de um outro gigante que se revela logo atrás. Mais um gigante adormecido se levanta. A notícia do meu regresso ao campo se espalhou rápido e causou um barulho alto o suficiente pra despertar a cada um deles. Mas uma vez mais, nada disso me assusta. Apenas mostra que a cada passo que dou os faço tremer. No entanto - confesso - ver a imagem daquele gigante me fez sentir um frio na espinha bastante familiar.
 Acelero. De todos os inimigos que já enfrentei esse foi de longe o mais forte e sagaz. Com um olhar tão gentil e cativante que bem poderia ser confundido com um aliado (como outrora aconteceu). Hoje, contudo, conheço suas táticas. Sei o quanto preciso ser cauteloso, sem jamais demonstrar fraqueza. Seu olfato é apurado. Continuo então correndo. Na certeza de que nada mais pode me parar.

 (Continua...)

por Gesiel Souza

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