Éramos poucos soldados aquela noite. Estávamos cansados e com medo, embora ninguém o demonstrasse. A poucos metros do campo e batalha nos reunimos no início da noite a fim de buscarmos um novo ânimo, força e coragem. Não estávamos desanimados, nem fracos, tampouco desmotivados, mas entendíamos que precisávamos daquele momento, não somente pra nos mesmos, mas para o próprio Reino em si. O destino da vitória havia sido colocado em nossas mãos, não poeríamos vacilar.
Era uma noite fria, mas a medida que nos aproximávamos do lugar exato em que queríamos estar um calor nos envolvia de maneira suave e revigorante. Fluía em nós. Queimava em nós. Em poucos minutos já não conseguíamos pensar em nós mesmos, ou nas lanças dos inimigos dos quais nos escondíamos. Alguns de nós mal conseguia se manter de pé. Lançados ao chão, desfrutávamos da doçura e paz que aquele lugar nos trazia.
Tínhamos fome. E por algum motivo nos orgulhávamos disso, e nos alegrávamos nisso. Enquanto o calor nos consumia, nossas armaduras refletiam um brilho cada vez maior. Purificadas pelo fogo, tornavam-se cada vez mais fortes e impenetráveis. Sabíamos quem éramos; éramos aquele momento. Sabíamos com quem estávamos, pela presença que nos preenchia. E sabíamos onde estávamos: No centro de um coração em chamas.
Gesiel Souza

