sábado, 21 de janeiro de 2012

Lute


Volto. Depois de algum tempo sem entrar em um campo de batalha, volto a este ambiente outrora tão familiar, mas agora tão diferente. É uma sensação nova, surreal... estranha. Do tempo que passei distante, me recuperando das feridas que consegui exatamente aqui, me restam agora somente as muitas cicatrizes. Doem. E talvez sejam exatamente essas dores que fazem deste meu ambiente familiar agora tão novo pra mim.
Já fui rei neste lugar! Já conquistei, já me fiz grande. Hoje sou apenas uma lenda, talvez já até esquecida por muitos.
Hoje me encontro aqui, decidido a recuperar a essência de tudo o que sou; e essa decisão por si só traz consigo o meu gigante-inimigo mais sagaz. Medo, aquele que leva pendurado em seu cinto o crânio de muitos grandes homens.
Nada disso me intimida, nem me impede de correr em sua direção. É quando sou então atingido pela ponta envenenada da espada inimiga. Cresci, mudei, me recuperei e voltei mais forte e maduro; mas o inimigo também mudou, parece maior e mais ágil. E no primeiro movimento me deixo ser atingido...
Recuo. E por cinco segundos me permito o desespero. Um. Me permito acreditar que me iludi ao achar que ainda era capaz, e forte o suficiente pra voltar a este lugar. Dois. Me permito pensar em desistir, em me entregar de vez à espada ou mesmo voltar correndo ao lugar de descanso e talvez por lá mesmo ficar. Três. Talvez eu seja mesmo um tolo, um néscio, um fraco. Quatro. Depois de nem mesmo lutar serei esmagado como um inseto por... Cinco, e o tempo do desespero acabou. Corro novamente em sua direção.

(Continua...)

por Gesiel Souza

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