Paramos então por algumas horas. Depois de um dia de corridas, trabalhos e estudos, gritos, sorrisos, choros, poeira, louvores e amores, sentamos à mesma mesa em silêncio. E assim permanecemos por alguns minutos, horas talvez. Ainda assim sentíamos e sabíamos que aquela era a melhor conversa que jamais tivemos.
Com os olhos e pensamentos voltados à mesma direção, uns com discretos sorrisos, tantos outros com lágrimas nos olhos, cantávamos ali a mesma canção. Sem palavras. Sem instrumentos. Sem sequer batuques leves com os dedos ou qualquer tipo de som. Ainda assim a melodia ecoava e contagiava a todos.
Parecia utópico, mas sabíamos que não era. Não poderia ser, pelo menos não para a grande maioria. Paz e Liberdade estavam lá, eram notáveis, quase palpáveis. As expressões em cada rosto eram provas vivas e sinceras disso.
Se um ou outro rompia o silêncio todos os demais ouviam com atenção, sabendo que o que quer que fosse dito ali não poderia ser irrelevante. Estávamos em total concordância. Havia uma sincronia quase perfeita de pedidos e desejos.
Sabíamos, claro, que ao sair dali voltaríamos à mesma rotina, seja ela qual fosse, mas ninguém ousava pensar nisso. Simplesmente ficamos ali, naquele momento. Até mesmo muitos que não estavam pareciam estar. Crianças dormiam, pois até elas sabiam que não haveria no mundo inteiro lugar mais seguro que aquele.
Pode ser que, dos fatos, tudo tenha durado algumas horas, ou pode até ser que ainda dure até hoje. Contudo, pelo sim ou pelo não, cada coração que lá esteve permanece exatamente no mesmo lugar.
Gesiel Souza

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