Carta Nº 72
Meu amigo, meu irmão...Há poucos meses atrás, antes de minha partida, lembro de nos encontrarmos pela última vez na varanda de sua casa no fim da tarde de sexta-feira, como de costume. Na ocasião, lembro que relembramos histórias de grandes homens e ressaltamos o fato intrigante de que a maioria das grandes histórias foram escritas ou vividas no momento de maior deserto na vida desses ditos heróis. Sempre me questionei o porquê de intitularmos heróis homens que muitas das vezes viveram um único momento significante em suas vidas, e que por um único golpe - algumas vezes de sorte - escreveram seus nomes na história.A verdade é que o que fez desses homens heróis não foram o momento de glória em que viveram ou a situação de sacrifício em que se colocaram por um bem maior, mas o caminho que fora traçado por eles até esse momento, que somente poderia ter sido traçado por alguém que pudesse ser dignamente conhecido mais tarde como um verdadeiro herói.Entendo hoje que acima dos feitos históricos desses homens estão as renúncias de uma vida inteira que fora deixada para trás. Tenho dito isto porque hoje, diante dos meus olhos, morreu aquele que é o responsável por me fazer entender toda essa verdade. Trago em minha memória e coração a história de alguém que soube escrever com bastante habilidade uma história verdadeiramente digna de ser contada, o que certamente farei em uma outra ocasião.Ainda é muito cedo para definir, meu amigo, que história tenho escrito, embora possa dizer que estou em um ponto bastante relevante dessa história. O deserto em que estou agora já foi e ainda tem sido um cenário de acontecimentos inimagináveis até mesmo para quem os vive. Lembre-se sempre de colocar meu nome em suas orações Àquele que É, e continuar cuidando com todo seu afeto daqueles que criei para amar, como também daquela que escolhi para tal.Um grande abraço...
Gesiel Souza

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